novembro 20, 2009
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“Ele me esquecerá. Deixará sem resposta minhas cartas, que ficarão em meio a suas espingardas, seus cães. Eu lhe mandarei poemas, talvez ele responda com um cartão-postal. Mas é por isso que o amo. Proporei um encontro - debaixo de um relógio, ou numa encruzilhada; esperarei, e ele não virá. É por isso que o amo. Ele se afastará da minha vida, esquecido, quase inteiramente ignorante do que foi para mim. E, por incrível que pareça, entrarei em outras vidas; talvez não seja mais que uma escapada, um simples prelúdio.”
Virginia Woolf, in The Waves
novembro 19, 2009
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Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura...
Caio Fernando Abreu
novembro 18, 2009
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Olhos Nos Olhos
Chico Buarque
Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz
novembro 17, 2009
novembro 16, 2009
novembro 15, 2009
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Vida Noturna
João Bosco & Aldir Blanc
Acendo um cigarro molhado de chuva até os ossos
E alguém me pede fogo - é um dos nossos
Eu sigo na chuva de mão no bolso e sorrio
Eu estou de bem comigo e isto é difícil
Eu tenho no bolso uma carta
Uma estúpida esponja de pó-de-arroz
E um retrato meu e dela
Que vale muito mais do que nós dois
Eu disse ao garçom que quero que ela morra
Olho as luas gêmeas dos faróis
E assobio, somos todos sós
Mas hoje eu estou de bem comigo
E isso é difícil
Ah, vida noturna
Eu sou a borboleta mais vadia
Na doce flor da tua hipocrisia
novembro 14, 2009
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"Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender."
Fernando Pessoa
novembro 13, 2009
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"Ou me ascendo e sou maravilhosa, fugazmente maravilhosa, ou senão, obscura, envolvo-me em cortinas."
Clarice Lispector
novembro 12, 2009
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Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.
Raduan Nassar, in "Menina a caminho"
novembro 11, 2009
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Sugestão
Thiago de Mello
Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.
Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.
Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.
Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde posssas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.
Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.
Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.
Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.
Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.
É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.
novembro 10, 2009
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Catavento e Girassol
Guinga e Aldir Blanc
Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio
Você é litorânea
Quando eu respeito os sinais
Vejo você de patins
Vindo na contra-mão
Mas, quando ataco de macho
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega
Nós não ouvimos conselho:
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva
(o inseto e a flor)
Um torce pra Mia Farrow
O outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança, havaiana
Eu vou de tênis e jeans
Encontro você demais:
Scarpin, soirée
Quando o pau quebra na esquina
Você ataca de fina
E me oferece em inglês:
É fuck you, bate-bronha
E ninguém mete o bedelho:
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho
A paz é feita no motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço
Você é tão espontânea!
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro
No sufoco somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou mais vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho
* parte dela é vc.
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Aquela Mulher
Chico Buarque
Se você quer mesmo saber
Por que que ela ficou comigo
Eu digo que não sei
Se ela ainda tem seu endereço
Ou se lembra de você
Confesso que não perguntei
As nossas noites são
Feito oração na catedral
Não cuidamos do mundo
Um segundo sequer
Que noites de alucinação
Passo dentro daquela mulher
Com outros homens, ela só me diz
Que sempre se exibiu
E até fingiu sentir prazer
Mas nunca soube, antes de mim
Que o amor vai longe assim
Não foi você quem quis saber?
novembro 09, 2009
novembro 07, 2009
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Vou ao cinema para pensar. Faço cinema para me entender.
Esmir Filho
* diretamente do twitter dele.
** em 2007, assistindo festival de gramado e torcendo por alguém, me encantei pelo esmir. ele recebeu kikito de melhor diretor de curta na época, não me lembro qual, acho que "saliva". diante do kikito, ele fez declarações e fiquei boba. primeiro pelo seu ar singelo, simpatia, encanto e depois é claro, por seus próprios méritos. e no mesmo momento, procurei como dizer isso a ele.
pra minha surpresa, ele respondeu. foi de uma simpatia, de uma delicadeza, uma graça, como diria a minha psico! e ainda disse:
- suas palavras realmente me incentivam a continuar produzindo! :)
e hoje, encontrei o twitter dele. é por isso que o post hoje, é dele!
novembro 06, 2009
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de todos os meus blogs, este é o que eu já tive vontade de abandonar.
de todos os meus blogs, este é o que recebe visita a cada 2 minutos... tem alguém me monitorando - há e eu sei quem é!
se alguém, pensa que vai saber algo através de dizeres de outrem, se engana, redondamente. eu sou alguém, além disso aqui... aqui são escolhas, apenas.
recado dado!
novembro 05, 2009
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hoje é o dia do cinema brasileiro...
* vc, as fotos em p&b, as trilhas sonoras, a maneira de falar, a maneira de escrever, a maneira de se isolar, de entender o mundo, tudo além... vc me fez acreditar que existe alguém que vale a pena. e, que o cinema, me deixa viva. a sua risada... tudo. falar de vc, é difícil. tem muito de vc em mim...
novembro 04, 2009
novembro 03, 2009
novembro 02, 2009
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Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação.
Clarice Lispector, in As águas do mundo
novembro 01, 2009
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Meu próprio cérebro é para mim a mais inexplicável das máquinas - sempre zunindo, sussurrando, voando rugindo mergulhando, e depois se enterrando na lama. E por quê? Para que esta paixão?
Virginia Woolf
outubro 31, 2009
outubro 30, 2009
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Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).
Fernando Pessoa
outubro 29, 2009
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Daquele que amo
quero o nome, a fome
e a memória. Quero
o agora. O dentro e o fora,
o passado e o futuro.
Quero tudo: o que falta
e o que sobra
o óbvio e o absurdo.
Maria Esther Maciel, in Pacto
outubro 28, 2009
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O amor, esse sufoco
agora há pouco era muito
agora, apenas um sopro
ah, troço de louco
corações trocando rosas
e socos
Paulo Leminski
outubro 27, 2009
outubro 26, 2009
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Tolerem a minha intolerância.
Jules Renard
* rick, desculpa por tudo. pela minha intolerância principalmente. não esqueça do e-mail e deixe-se levar.
outubro 25, 2009
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Medo de amar nº3
Péricles Cavalcanti
Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Também diz que eu sou um bruto
E me chama de vadio
Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer
Você diz que eu sou demente
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu, simplesmente,
Sou carente de razão
Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel
Você não tem medo de mim...
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer
Me amar
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Fiapos nos dentes
o rosto todo amarelo
É tempo de manga
Eunice Arruda
* descobertas.
** ao bonitinho que me encanta.
outubro 24, 2009
outubro 23, 2009
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" Amor, cerimônia ontoligizante, doadora de ser. E por isso lhe ocorria agora aquilo que, na verdade , deveria ter lhe ocorrido logo no início: se alguém não tem dominio sobre si, jamais poderia ter alcançado a singularidade. E, afinal, quem é que se dominava de verdade? Quem é que tinha a perfeita consciência de si, da solidão absoluta que significa nem sequer contar com a própria companhia, que significa ter de entrar num cinema ou num bordel, ou em casa de amigos ou numa profissão absorvente ou, ainda, no matrimônio para estar, pelo menos, só entre os demais? Assim, paradoxalmente, o cúmulo da solidão conduzia ao cúmulo do gregarismo, à grande solidão das companhias alheias, ao homem só na sala de espelhos e dos ecos. Todavia, pessoas como ele e tantas outras, que aceitavam a si mesmas ou que se rejeitavam, mas conhecendo-se de perto, caíam sempre no pior paradoxo; estar talvez à beira da singularidade e não poder alcançá-la. A verdadeira singularidade feita de delicados contatos, de maravilhosos ajustes com o mundo, não podia ser cumprida por um só lado: a mão estendida deveria receber outra mão, vinda de fora, vinda de outro."
Julio Cortázar, in O Jogo da Amarelinha
outubro 22, 2009
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Eu Te Amo Porra
Lorenza Pozza
Ah, eu não sinto mais vergonha, não
Se a
falta vai dizer por mim
Você se engana tão melhor assim
Guardando tanto amor
que eu já não sei separar
Eu não sei
O som que faz quando um de nós se
vai
é quase vai-e-vem
Por muito tempo até que deslizei
Não deu pra segurar,
mas eu tentei
Devagar
Eu tentei
E eu não quero um outro alguém
muito
menos se for
pra esconder o nosso bem
em um falso sorriso
Pense muito
bem
nesse abrigo indeciso.
Outra foto no mural
e eu fui cuidar de mim
Fui
procurar ajuda para um coração
trincado pela culpa
vazando sem
perdão
Procurar ajuda para um coração
rincado pela culpa
coagulando sem
perdão
Eu errei fazendo a coisa certa
E, perdendo toda a essência
acho até
que não preciso de você
quando preciso de você