fevereiro 09, 2010
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Farrapo Humano
Luiz Melodia
Tocando seu corpo
Castigo, não vivo contigo
Sou sano, sou franco
Enquanto não calo não brigo
Me amarro, me encarno na sua
Mais estou pra estourar, estourar
Eu choro tanto escondo e não digo
Viro farrapo tento suicídio
Com caco de telha, com caco de vidro
Só fala na certa repleta de felicidade
Me calo ouvindo seu nome
Por entre a cidade
Não choro, só zango, resisto
Fico no lugar, no lugar
Eu choro tanto escondo e não digo
Viro farrapo tento suicídio
Com caco de telha com caco de vidro
Com caco de telha com caco de vidro
Com caco de telha com caco de vidro
Tô muito acabado e tão abatido
Minha companheira que venha comigo
Mais estou pra me zangar
Pra me acabar, pra estourar
Pra que que há
Eu choro tanto escondo e não digo
Viro farrapo tento suicídio
Com caco de telha com caco de vidro
E da melhor maneira possível
Com caco de telha com caco de vidro
* tristura.
fevereiro 08, 2010
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Samba do Avião
Tom Jobim
Eparrê
Aroeira beira de mar
Canôa Salve Deus e Tiago e Humaitá
Eta, costão de pedra dos home brabo do mar
Eh, Xangô, vê se me ajuda a chegar
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Pousar...
fevereiro 07, 2010
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“Amor fati: [amor ao destino]: que seja doravante o
meu amor! Não quero fazer a guerra contra o feio. Não quero acusar,
não quero nem mesmo acusar os acusadores. Desviar o olhar: que seja
minha única negação! Em suma, quero em algum momento por uma vez
ser apenas aquele que diz-sim!”
Nietzsche, in Gaia ciência
fevereiro 04, 2010
fevereiro 03, 2010
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Fiz desaparecer a minha individualidade para nada ter que defender; afundei-me no incógnito para não ter qualquer responsabilidade; foi no zero que procurei a minha liberdade.
Henri Amiel
fevereiro 02, 2010
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me deixe só,
mas não me deixe na solidão.
hoje, virei de página;
amanhã, troco de livro.
* rikones
** solitude
fevereiro 01, 2010
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Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
Mário Quintana
janeiro 31, 2010
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Um horror, grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:
Chega-te a mim! entra no meu amor,
E e à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgôsto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!
Vê tudo nos repele! a tôda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrêlas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...
Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sôbre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se amaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degrêdo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!
Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da bôca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em tôrno ao teu corpo encantador e nú,
Tudo morrer, que importa? A natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!
Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico na terra, luz dos olhos teus,
Terra, melhor que o Céu! homem maior que Deus!
Olavo Bilac, in A Alvorada do Amor
janeiro 29, 2010
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Todos os sentimentos podem conduzir ao amor e à paixão. Todos: o ódio, a compaixão, a indiferença, a veneração, a amizade, o medo e até mesmo o desprezo. Sim, todos os sentimentos... excepto um: a gratidão. A gratidão é uma dívida: todo o homem paga as suas dívidas... mas o amor não é dinheiro.
Ivan Turgueniev
janeiro 28, 2010
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"Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, uma alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar!"
Fernanda Mello
janeiro 27, 2010
janeiro 26, 2010
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"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo ‘clima’, certa ‘preparação’. Certa ‘grandeza’. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo ‘eterno’) cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe – e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte – pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) – nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."
Caio Fernando Abreu
janeiro 25, 2010
janeiro 24, 2010
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"Cinema-verdade? Prefiro o cinema-mentira. A mentira é sempre mais interessante do que a verdade."
Frederico Fellini
janeiro 23, 2010
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Esquimó Por Acidente
Terminal Guadalupe
Ontem eu quis esquecer por que
Dizem que estou sempre um passo atrás
Nada requer uma explicação
Agora, a música é sem refrão
Ontem, pensei em você e sumi
Na rua, o frio me encolhe mais
Nada me fez voltar à razão
Agora, eu peço um favor
Devolva o calor
O orgulho não vai salvar ninguém
Ou será que pode salvar um cara como eu
Que só relutou em ter
Alguém que beija com a ponta do nariz
Faz pipoca no jantar
Dá risada no bar
E quer ser feliz
Como um dia eu já quis também
I need your arms around me
I need to feel your touch
* tudo intenso.
** dary jr.
janeiro 22, 2010
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Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave.
Antoine de Saint-Exupéry
* meu brilho a sua infelicidade.
janeiro 21, 2010
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b a l a n ç o :
fiz a média dos meub blogs e ficou em 7 anos. isso mesmo, 7 looongos anos.
separando e-mails, fiz uma pasta nomeada como: fãs dos blogs. comecei a reler os e-mails, e revivê-los...
notei, que algumas pessoas vieram a conhecer meu queridinho, o caio, através dos meus blogs. sensação indescritível...
algumas pessoas, gostariam de saber para onde foi a lorena? e pq ela foi embora?
outras, deixaram links de blogs pessoal, orkut, flickr, algum tipo de aproximação além dos comentários ou e-mail.
algumas, verbalizaram que nem imaginavam minha resposta sequer...
estou lendo um livro, que adiante, devo colocar citações aqui, e tem uma dedicatória tão divina, que resolvi me espelhar:
"se ainda existe no mundo alguém que leia só por prazer - ou até mesmo por acidente-, peço a ele ou a ela, com indizível afeto e gratidão, que divida em quatro partes iguais a dedicatória deste livro com minha mulher e meus dois filhos..."
é isso, dedico todos os blogs, aos meus fãs. mesmo aos que entraram por acidente.
* ulisses, obrigado pelo livro. inestimável.
janeiro 20, 2010
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Lua Cheia
Chico Buarque
Ninguém vai chegar do mar
Nem vai me levar daqui
Nem vai calar minha viola
Que desconsola, chora notas
Pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita, na espera
Quem dera abrir meu peito
Cantar feliz
Preparei para você uma lua cheia
E você não veio
E você não quis
Meu violão ficou tão triste, pudera
Quisera abrir janelas
Fazer serão
Mas você me navegou
Mares tão diversos
E eu fiquei sem versos
E eu fiquei em vão
janeiro 19, 2010
janeiro 18, 2010
janeiro 17, 2010
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Charme Do Mundo
Marina Lima & Antônio Cícero
Eu tenho febre
Eu sei!
Fogo leve que eu peguei
Do mar, ou de amar, não sei
Deve ser da idade...
Acho que o mundo faz charme
E que ele sabe como encantar
Por isso sou levada, e vou
Nessa magia de verdade
(Verdade!)...
O fato é que sou
Sua amiga
Ele me intriga demais
Intriga!...
É um mundo tão novo
Que mundo mais louco
Até mais que eu
É febre, amor
E eu quero mais
Huuuuuum!
Tudo o que quero
Sério! Sério!
É todo esse mistério
Esse mistério!...
Acho que o mundo faz charme
Mas ele sabe como encantar
Por isso sou levada, e vou
Nessa magia de verdade
Verdade!...
O fato é que sou
Sua amiga
Ele me intriga demais...
É um mundo tão novo
Que mundo mais louco
Até mais que eu
É febre, amor
E eu quero mais
Huuuuuum!
Tudo o que quero
(Tudo que eu quero!)
Sério!
É todo esse mistério...Todo esse mistério
Todo esse mistério
Mistério!...
janeiro 16, 2010
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Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?
Carlos Drummond de Andrade
janeiro 14, 2010
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Triste
Tom Jobim
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
janeiro 13, 2010
janeiro 12, 2010
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"Dar o passo fatal, mandar tudo para os infernos é em si uma emancipação: o pensamento das consequências nunca me passou pela cabeça. Render-se absoluta e incondicionalmente à mulher que se ama é romper todas as amarras, exceto o desejo de não a perder, que é a amarra mais terrível de todas."
Henry Miller, in Sexus
janeiro 11, 2010
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Porque eu tenho pesadelos que parecem tão reais até quando você me abraça. E eu acordo triste, e brigo de verdade e passo o dia grave e dolorida como quando a gente leva um tombo no piso liso... que é só o passado. É como se eu sentisse um ciúme horroroso do meu livro predileto comprado em sebo, a dedicatória apaixonada que não é a minha, os resquícios do manuseio de outras mãos. Alguém corrompeu o trecho que eu mais gostava quando grifou à caneta algo que não pude apagar com borracha e que era tão secretamente meu. Desenhou corações onde só havia minha dor e eu discordei da interpretação alheia. E achei aquilo tudo de uma crueldade atroz. Mas permaneci com o livro no colo, cheia de um afeto confuso por ele: afeto pelo que era, angústia por já ter sido de outro alguém, e aquela sensação (imbecil) de falta de exclusividade. Eu que sempre achei que tudo é e está para o mundo. Perdoa o meu senso de autoimportância, já que não consigo perdoar o meu egoísmo. Eu sei que em alguns presentes, no embrulho, laços do passado são aproveitados. Eu só queria que eles não fossem tão vermelhos: desses que doem nos olhos e no coração.
Marla de Queiroz, in Sobre o ciúme
janeiro 10, 2010
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TROPEÇO
Eduardo Baszczyn
Há tanto tempo não usado, encontrei o amor, sem querer. Ontem. Jogado debaixo da cama. Empoeirado. Sem caixa, bula ou manual. Um amor, assim, abandonado. Sujo. Rasgado. Fóssil soterrado. Navio afundado há anos. Casarão com tábuas pregadas nas janelas. Lençóis brancos sobre os móveis. Um amor acostumado com o escuro. Com o frio do quarto fechado. Com a passagem rápida de um inseto no meio da madrugada. Um velho amor largado. Pronto pra ser reciclado. Um amor procurado por toda casa nos lugares errados. Nos armários limpos. Entre taças. Louças. Dentro de caixas fechadas com laços. Sob tapetes varridos. Cantos desinfetados. Um amor chamado no grito. No gemido da febre. No cochicho da oração. Um amor sumido. Necessitado. Um amor que apareceu quando quis. De repente. Em um lugar inesperado. Há tanto tempo não usado, eu, ontem, tropecei no amor. Empoeirado. Sujo. Rasgado. Abandonado debaixo da cama. Um amor que talvez nem funcione mais.