outubro 13, 2003

...

A hora do cansaço
Carlos Drummond de Andrade

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.

Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.

Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

Publicado por lorenafoiembora em outubro 13, 2003 02:55 AM
Comentários

AHHHHHHHHHHHHHHHHHh... que bom que vc voltou!
Sentia falta do seus textos....

Afixado por: little_debilA em outubro 13, 2003 06:10 PM