maio 31, 2009

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Estar numa ilha habitada por fantasmas artificiais era o mais insuportável dos pesadelos; estar apaixonado por uma dessas imagens era pior que estar apaixonado por um fantasma (talvez sempre tenhamos querido que a pessoa amada tenha uma existência de fantasma).

Bioy Casares, in A Invenção de Morel

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maio 30, 2009

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"Basta o ser. O escuro
mistério vivo, poço
em que a lâmpada é pura
e humilde o esplendor
das mais cálidas flores."

Orides Fontela

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maio 28, 2009

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"Tenho dias lindos mesmo quietinhos."
Caio Fernando Abreu

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maio 27, 2009

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Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

Hilda Hilst , in Do Desejo

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maio 26, 2009

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Em todo lugar, um pedaço do fim.

Já tive medo.
Já tive coragem.
Já tive certezas.
Hoje tenho uma dúvida:
Ainda tenho você?

* com orgulho, do meu amigo Fábio Vanzo.

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maio 25, 2009

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"Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo. Mas esse "tudo" é tão grande, tão vago, que me sinto estonteado. É preciso ir limitando meu sonho, apagando as linhas supérfluas, corrigindo as arestas, até restar somente o centro, o âmago, a essência. Mas qual será esse centro, meu Deus, que não encontro?"

Caio Fernando Abreu

* já encontrei, e então?

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maio 24, 2009

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Dou importância às miudezas.
Sou um apanhador de desperdícios
que nem as boas moscas.

Manoel de Barros

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maio 22, 2009

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acho espantoso acumular memórias, afeto...
caio fernando abreu

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maio 21, 2009

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"O real dever do artista é salvar o sonho."
Modigliani

Publicado por lorenafoiembora em 03:58 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 20, 2009

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"Capturado numa necessidade contra a qual você nada pode. Se sou apenas o que sou, sou indestrutível. Sendo o que sou e sem reservas, minha solidão conhece a sua."

Giacometti

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maio 19, 2009

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Dentro de mim mora um grito...
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar.
Sou aterrorizada por essa coisa negra
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.
Nuvens passam e se dispersam.
São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
Foi para isso que agitei o meu coração?
Sou incapaz de mais compreensão.
E o que é isso agora, essa face
Assassina em seus galhos sufocantes?
O beijo traiçoeiro da serpente.
Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos,
Que matam, matam, matam.
Sylvia Plath

Publicado por lorenafoiembora em 02:57 AM | Comentários (4) | TrackBack

maio 18, 2009

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"Dar a mão a alguém foi o que eu sempre esperei da alegria."

Clarice Lispector

Publicado por lorenafoiembora em 04:11 AM | Comentários (14) | TrackBack

maio 17, 2009

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O que é um beijo
Se eu posso ter o teu olhar?

Alec Haiat & Céu, in Malemolência

Publicado por lorenafoiembora em 02:37 AM | Comentários (18) | TrackBack

maio 16, 2009

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Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.

Clarice Lispector

Publicado por lorenafoiembora em 01:55 PM | Comentários (5) | TrackBack

maio 14, 2009

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Amor em paz
Antonio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes


Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz

Publicado por lorenafoiembora em 04:12 PM | Comentários (7) | TrackBack

maio 13, 2009

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Talvez seja na beirada de um sonho que o mundo acaba, eu não sei. Talvez não acabe e vire coisa diversa, como quando a gente fecha os olhos e descobre uma esquina no canto das pálpebras, é ali que tudo começa mesmo quando termina e cada chance laceia a vida pelos ombros como quem diz “fica, que eu vou cantar pra te fazer dormir enquanto lá fora ainda faz frio, deita aqui”. Talvez, e só talvez, haja pintado em alto-relevo sobre a palma da nossa mão um instante onde viver não sangre, e seja leve carregar nas costas cada pequena fome de amor, e aquele destino parado diante do portão de casa, aquele que um dia foi possível, ainda esteja lá à tua espera, e quem sabe à minha espera, em silêncio, deitando os olhos sobre o ruído das palavras caídas sobre o batente. Eu queria, sim, voltar no tempo e quem sabe cruzar contigo no meio da rua, e te convidar para um café num dia frio e adocicado como aquele do primeiro inverno em que nevou flores, eu guardo ainda algumas pétalas entre as páginas do livro que nunca escrevi. Eu guardo, ainda, mas é um passo em falso quem me leva para casa, onde fica o nosso lugar eu me lembro e não alcanço mais. Talvez seja na beirada de um sonho que o mundo acaba; talvez, e só talvez, não acabe e vire coisa diversa e se incorpore no corpo feito cicatriz, volátil imprecisão é o destino. Eu só preciso aconchegar os pés um pouco mais nessa certeza enevoada que saber demais é desvantagem, e quem sabe o mundo não acabe e sim comece quando a gente abre os braços e enfim se atira.

Eu aprendi a me atirar quando te dei as minhas asas.

Flávia Brito

Publicado por lorenafoiembora em 01:54 AM | Comentários (6) | TrackBack

maio 11, 2009

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Eu me dou melhor comigo mesma quando estou infeliz: há um encontro. Quando me sinto feliz, parece-me que sou outra. Embora outra da mesma. Outra estranhamente alegre, esfuziante, levemente infeliz é mais tranqüilo.
Tenho tanta vontade de ser corriqueira e um pouco vulgar e dizer: a esperança é a última que morre.

Clarice Lispector

Publicado por lorenafoiembora em 02:29 AM | Comentários (4) | TrackBack

maio 10, 2009

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Tenho correspondentes em quatro capitais do mundo. Eles pensam em mim intensamente e nós trocamos postais e novidades. Quando não chega carta planejo arrancar o calendário da parede, na sessão de dor.

Ana Cristina Cesar

Publicado por lorenafoiembora em 02:41 AM | Comentários (4) | TrackBack

maio 09, 2009

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Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.

Rainer Maria Rilke

Publicado por lorenafoiembora em 01:02 PM | Comentários (4) | TrackBack

maio 08, 2009

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O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso.

Nietzsche

Publicado por lorenafoiembora em 03:47 AM | Comentários (7) | TrackBack

maio 07, 2009

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Pecado Nada Original
Guto Graça Melo/ Naila Skorpio/ Ezequiel Neves


Deixa eu sentir suas dores,
Eu quero ser um dos seus amores
O desejo predileto
O seu lado marginal
Ser o seu pecado
Nada original

Eu vou brincar com seus segredos
Dar um beijo nos seus medos

Eu vou te levar à loucura gostosa
De um caso complicado
Um romance apaixonado
Te amo até você perder a razão
Te amo com a boca e com o coração
Levanta, levanta por favor vai embora
Levanta, saia do teatro agora
Eu preciso de paz pra tocar e cantar

Publicado por lorenafoiembora em 02:23 AM | Comentários (7) | TrackBack

maio 04, 2009

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Porque eu também sinto medo, e haverá a morte um dia. A vida é apenas uma ponte entre dois nadas e tenho pressa.

Caio Fernando Abreu, in Triângulo das Águas

* q fique dito, eu tenho pressa.

Publicado por lorenafoiembora em 01:10 AM | Comentários (4) | TrackBack

maio 01, 2009

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Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa

Publicado por lorenafoiembora em 09:16 PM | Comentários (13) | TrackBack