setembro 17, 2005

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"Quanto à moça, ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando. Na verdade — para que mais que isso? Seu viver é ralo. (...) Para adormecer nas frígidas noites de inverno enroscava-se em si mesma, recebendo-se e dando-se o próprio parco calor. Dormia de boca aberta por causa do nariz entupido, dormia exausta, dormia até o nunca."
Clarice Lispector, in A Hora da Estrela

Publicado por lorenafoiembora em setembro 17, 2005 04:29 AM
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