Talvez eu seja
O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina
Que a bem da vida
A carne se fez sombra.
Talvez eu seja tu mesmo
Tua soberba e afronta.
E o retrato
De muitas inalcançáveis
Coisas mortas.
Talvez não seja.
E ínfima, tangente
Aspire indefinida
Um infinito de sonhos
E de vidas.
Hilda Hilst
Publicado por lorenafoiembora em setembro 14, 2007 04:02 AM | TrackBackLinda poesia da Hilst. Parabéns pela sua sensibilidade de colocá-la no seu espaço. A propósito, vc sabe o nome dela?
Um abraço,
Afixado por: Inês em dezembro 13, 2007 02:04 PM