setembro 14, 2007

...

Talvez eu seja
O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina

Que a bem da vida
A carne se fez sombra.

Talvez eu seja tu mesmo
Tua soberba e afronta.
E o retrato
De muitas inalcançáveis
Coisas mortas.

Talvez não seja.
E ínfima, tangente
Aspire indefinida
Um infinito de sonhos
E de vidas.

Hilda Hilst

Publicado por lorenafoiembora em setembro 14, 2007 04:02 AM | TrackBack
Comentários

Linda poesia da Hilst. Parabéns pela sua sensibilidade de colocá-la no seu espaço. A propósito, vc sabe o nome dela?

Um abraço,

Afixado por: Inês em dezembro 13, 2007 02:04 PM
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