outubro 05, 2007

...

Sangue na Sapatilha ou Enigma da Liberdade
para Pina Bausch

Heiner Müller

De criança, brincávamos de esconde-esconde
Ainda se lembra de nossos jogos?
Todos se escondem, um espera
O rosto contra um árvore ou parede
As mãos sobre os olhos, até que o último
Encontre seu lugar, e quem for descoberto
Tem de correr do pegador.
Se chegar primeiro na árvore, está livre.
Se não fica parado no lugar
Como se bater a mão numa árvore ou parede
O pregrasse ao chão como pedra sepulcral
Ele não podese mover até que o último
Seja encontrado. E ás vezes o último
Por está bem escondido, não é encontrado.
Então todos esperam, petrificados
Cada qual seu próprio monumento, pelo último.
E ás vezes acontece morrer um.
Seu esconderijos não é encontrado, não há
Fome que o faça escapar de sua morte
Aquela que o encontrau fora da fila
Os mortos não tem mais fome.
Então não há ressureição. O pegador
Revirou cada pedra quatro vezes.
Agora só pode esperar, o rosto
Contra a árvore ou parede
As mãos sobre os olhos, até que o mundo
Tenha passado por ele. Você percebe seu andar.
Ponha suas mãos sobre os olhos, irmão.
Os outros, que o pegador pregou ao chão
Ao bater a mão numa árvore ou parede não correram
Depressa de seu esconderijo que não era bem seguro,
Eles agora não tem mais sobre seus olhos as mãos,
Não mais podem se mover e também os olhos não podem fechar
De acordo com a regra de jogo.
Como pedras no cemitério esperam eles
Com os olhos abertos para o último olhar...

Publicado por lorenafoiembora em outubro 5, 2007 12:56 AM | TrackBack
Comentários
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?