o amor é nu. é forma e sobressalto.
no azul desta avenida verde-cana
entre mulher e cão, um lobo e asfalto,
um gerifalto passeia sua doidice.
a ebúrnea orelha abana. dizem: "ama".
ao gerifalto, pobre, falta-lhe a gama
comum de converter a viva flama
em menor chama: flerte de verão.
o pé então falseia. nariz no chão.
pela doce coluna vertebral
um furacão assoma. entra em coma.
o gerifalto morre. já não ama.
celso luiz paulini, in o gerifalto
Publicado por lorenafoiembora em fevereiro 5, 2008 01:32 AM | TrackBack