fevereiro 05, 2008

...

o amor é nu. é forma e sobressalto.
no azul desta avenida verde-cana
entre mulher e cão, um lobo e asfalto,
um gerifalto passeia sua doidice.
a ebúrnea orelha abana. dizem: "ama".
ao gerifalto, pobre, falta-lhe a gama
comum de converter a viva flama
em menor chama: flerte de verão.
o pé então falseia. nariz no chão.
pela doce coluna vertebral
um furacão assoma. entra em coma.
o gerifalto morre. já não ama.

celso luiz paulini, in o gerifalto

Publicado por lorenafoiembora em fevereiro 5, 2008 01:32 AM | TrackBack
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